sábado, 23 de dezembro de 2023

Flerte com a tristeza

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 Eu prometi que a tristeza não ia começar em mim. 

Eu prometi que quando eu crescesse eu não ia estragar as coisas que podiam ser bonitas, os momentos que supostamente devieriam ser felizes. 

Eu prometi que ia ser a cor e a luz, não a sombra na vida das pessoas. 

Mas a verdade é que eu flerto com a tristeza de tempos em tempos, eu perco a força e a resiliência, eu quero deitar, eu quero dormir, eu quero ficar longe da felicidade, as vezes. 

Eu não consigo ser feliz ou ter paz por um momento longo. É como se meu cerebro precisasse voltar pro lugar de conforto, e o meu berço foi na tristeza, na briga, na luta. 

Me sinto fraca, me sinto fria, me sinto instável e não consigo ser para os meus a pessoa que prometi ser. 

Eu não consigo ser para mim, a pessoa que prometi ser. 

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Em algum momento da vida a gente para de exigir. E acho que vim dizer como isso é bonito, apesar de triste.
É bonito porque a maturidade é serena, e a aceitação que ela traz consigo é reconfortante.
É triste porque a gente já passou pela fase do luto de perder os superpoderes que (achava) que tinha e sabe, lá no fundo, que daqui em diante as emoções dificilmente chegarão a dar as sensações que já nos deram.
A revolta pelos pesos que a gente carrega virou uma adolescente histérica e a gente já não tem mais paciência pra sentir isso.
Quando a gente aceita que o "a gente se acostuma, mas não deveria" tem lá suas exceções e aprendemos que a gente pode sim se acostumar e parar de correr atrás da cenoura que tá presa na nossa cabeça.
Aceitar nossa natureza, nossas limitações, nossas qualidades, quem a gente é, o que reconforta, os momentos de improdução, os momentos que a produtividade vem naturalmente é quase como estar em um spa emocional.


Eu trabalho diariamente pensando em como melhorar processos e aumentar a fluidez diária. A gente tem uma grande chance de melhorá-los (e as vezes isso é tão simples) só respeitando a natureza da coisa, sem burocratizar, abrindo espaço pro que precisa ser feito no momento que precisa ser feito.
E hoje eu me peguei pensando que talvez, emocionalmente falando é a mesma coisa. Se a gente para de lutar contra o que sente e aceita aquilo deixa que o processo todo aconteça dentro da gente a coisa flui.
Isso vale pra nossa existência, essa busca desacerbada pela tal da "nossa melhor versão" é a maior burocratização de processo que eu já vi.


Quando a resiliência acaba

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Quando a resiliência acaba?

A resiliência é exaustiva na mesma proporção que é motivadora, mas ela afoga.

Seria mais fácil se deixar afogar, se deixar prender em fez de se machucar lutando contra essas correntes.

A luta pra se manter sã é uma batalha quase que fadada ao fracasso. Meu subconsciente em uma batalha sangrenta com a genética que me enforca, como um bebe que nasce enforcado no cordão umbilical que deveria te-lo nutrido.

A luta pra me manter boa enquanto (mesmo com todos os meus privilégios) eu encaro a feiura e ruindade de quem deveria ter me protegido.

O universo desmorona aos poucos e o que a gente tá fazendo tentando sobreviver? Porque a gente continua querendo preencher esse vazio infernal mesmo sabendo que inferno maior é preencher ele com essa gente?

"Que sobra nenhuma me faça perder a fé nas cores" eu repito isso comigo há tantos anos, mas talvez que se dane as cores. A resistência cansa.

Talvez aceitar que somos patéticos, ridículos e sombrios fosse melhor do que ela luta exaustiva que não tem chance de vencer.

Eu tô cansada de ser a rainha, o rei, o guarda, a princesa e o próprio castelo, eu só quero descansar. Porque você não pode só me deixar descansar?

Porque esse inferno de cenoura presa na minha cabeça pra eu tentar pegar, sendo que eu nunca vou conseguir?

Me deixa fracassar, ser patética e infeliz. Porque a infelicidade é o fundo do poço e eu não vou precisar fingir que me importa escalar.


sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Oi, Filho.

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 Oi, filho. 

Te escrevo, sem saber ao certo como, o jeito, o tato. Te escrevo pensando se tenho palavras. 

Sei apenas, que escrevo para você espírito de luz, não pro pequenino bebê que um dia você será. Escrevo para você o Ser, meu filho que me escolheu ou me escolherá como mãe nesta vida. Ser que chamo de filho, e que pode ser filha, e daí de cima, ou aqui do meu lado, ou onde quer que esteja me observa.

Te escrevo para dizer que sinto a sua presença, que te senti pulsar tão brevemente e tão silencionasamente dentro de mim.

Te escrevo, filho para dizer que por muito e muito tempo eu não me imaginei mãe. Que em tempos mais recentes me duvidei mãe. Duvidei da capacidade do meu corpo de gestar uma vida, duvidei das habilidades que me fariam mãe e duvidei do desejo de  ter uma vida dependendo tão ferozmente da minha. 

Mas eu te escrevo, principalmente, para te contar que eu estou espiritualmente preparada para te receber e vou preparar todo o meu corpo para te gerar, acolhido e com saúde. 

Eu descobri, com a breve existência material de você ou o seu casulo, que eu farei tudo que as minhas possibilidades me permitirem para te cuidar e proteger fazendo sua existência acontecer do jeito mais amoroso e bonito que nós dois seremos capazes dentro de nossas evoluções. 

Te escrevo, meu filho para dizer que vou preparar a casa, a nossa casa, o meu corpo para gerar a sua vida. 

Te escrevo para contar que assim que eu souber que você poderá chegar neste mundo com segurança eu vou estar preparada para te receber, sem dúvidas ou considerações, com todo amor que sinto no meu coração. 

Ps: Seu pai também te espera. 

Com amor, 

mãe.