Oi, filho.
Te escrevo, sem saber ao certo como, o jeito, o tato. Te escrevo pensando se tenho palavras.
Sei apenas, que escrevo para você espírito de luz, não pro pequenino bebê que um dia você será. Escrevo para você o Ser, meu filho que me escolheu ou me escolherá como mãe nesta vida. Ser que chamo de filho, e que pode ser filha, e daí de cima, ou aqui do meu lado, ou onde quer que esteja me observa.
Te escrevo para dizer que sinto a sua presença, que te senti pulsar tão brevemente e tão silencionasamente dentro de mim.
Te escrevo, filho para dizer que por muito e muito tempo eu não me imaginei mãe. Que em tempos mais recentes me duvidei mãe. Duvidei da capacidade do meu corpo de gestar uma vida, duvidei das habilidades que me fariam mãe e duvidei do desejo de ter uma vida dependendo tão ferozmente da minha.
Mas eu te escrevo, principalmente, para te contar que eu estou espiritualmente preparada para te receber e vou preparar todo o meu corpo para te gerar, acolhido e com saúde.
Eu descobri, com a breve existência material de você ou o seu casulo, que eu farei tudo que as minhas possibilidades me permitirem para te cuidar e proteger fazendo sua existência acontecer do jeito mais amoroso e bonito que nós dois seremos capazes dentro de nossas evoluções.
Te escrevo, meu filho para dizer que vou preparar a casa, a nossa casa, o meu corpo para gerar a sua vida.
Te escrevo para contar que assim que eu souber que você poderá chegar neste mundo com segurança eu vou estar preparada para te receber, sem dúvidas ou considerações, com todo amor que sinto no meu coração.
Ps: Seu pai também te espera.
Com amor,
mãe.


