quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

De sempre pra sempre.

Um comentário

Hoje pensei em você quando acordei, juro que ainda não tinha entrado no Facebook e visto o bolinho do lado do seu nome lá no chat. 
Fiquei me lembrando de todos os seus aniversários, me lembrei de alguns que perdi. Eu e a minha amizade desnaturada. 
Me veio na cabeça o seu aniversário de 15 anos, eu fui na prova do vestido lembra? 
Foi aí que usei salto pela primeira vez na vida, sabia? Pois é. Tive que ficar andando pelo corredor aqui de casa pra conseguir me equilibrar naquele trem que, até hoje, não acho que seja de Deus.
Lembrar disso me remeteu a tanta coisa...
Nós crescemos juntas. Não crescemos só em tamanho, crescemos de dentro pra fora, sabe? E fazemos isso juntas, por incrível que pareça.
Eu estava lá quando você debutou, não fui na sua formatura do 3º colegial mas me lembro até hoje do seu vestido e da sua empolgação, eu estava lá quando prestou vestibular, quando começou a faculdade e quando terminou ela. 
Conheci os seus primeiros amores e você os meus. Presenciamos todos os começos e todos os finais uma da outra, fora os segredos.
Você me fez colocar salto, me ensinou a passar maquiagem e me levou nas piores festas que já fui. Tá mentira, tô fazendo doce, eu gostava delas. 
Segurou meu cabelo no meu primeiro porre, lembra? Só não sei se foi a cerveja, a vodka ou a música ruim daquela festa de república. Você tava lá quando eu não me lembrei do caminho de volta pra casa.
Você viu meu planeta desabar algumas vezes, sabe dos meus amores, das minhas fraquezas e das minhas forças. Você esteve por perto sempre que precisei, mesmo nas horas que me faço de durona e finjo que tudo vai bem.
Mesmo que eu não te diga, saber que você está lá se eu precisar me faz sentir mais segura. Isso é segredo, não conta pra ninguém, Tá bom?.
Sabe? Eu queria que você soubesse a importância que tem na minha vida. Você é das pessoas que fazem a diferença nela, mesmo que sejamos tão diferentes. 
Qual seria a probabilidade da gente ser amiga desse jeito? Eu nem me lembro porque nos aproximamos tanto. Só sei que eu sou feliz por você habitar cá o meu planeta estranho.
Tenho por você um apreço imenso, e por isso quero te ver feliz do seu jeito, desse jeito meigo e certinho que fala baixo e tem o sorriso tímido. 
Mas não se esqueça nunca da força que tem, da boniteza que carrega no coração e principalmente: Fale quando tiver que falar. Você tem muito a dizer, que eu sei.
São 12 aniversários. Eu não lembro como foi o começo, só sei que é de Sempre, Pra Sempre. ;)

Feliz Aniversário. 
Amo você.




quarta-feira, 25 de novembro de 2015

"Nós nunca sabemos a força que temos, até que nossa única alternativa é ser forte".

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Ei, pequena grande menina, desculpe a intromissão e indelicadeza, talvez esse não seja o melhor momento, mas eu gostaria de lhe fazer alguns pedidos.
Peço que quando pensar em tudo que passou nos últimos tempos tenha um orgulho enorme da sua força e coragem.
Que se olhe por dentro e reconheça o valor de tudo o que você é e de tudo o que você fez.
Se doer, permita-se sentir e se descompor.
Pause a vida se precisar, se dê um tempo.
O peso do seu planeta não é só seu, divida a responsabilidade, poupe-se de vez em quando.
Quando tiver que escolher, escolha sempre você e o que você realmente quer fazer.
Mas prometa, pequena garota, que depois de se recompor, usará toda a força que tem para a sua vida e o melhor que pode fazer com ela. 
"Você será capaz de sacudir o mundo".


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Tardia

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Mania estranha de tardar e falhar.
Venho atrasada.
Sinto a dor de ontem, hoje. E a de amanhã daqui 7 anos.
Choro o choro acumulado de anteontem.
Me permito só depois. Mas o depois, pra mim, é sempre nunca.
Contra morte de hoje, só luto amanhã.
Contra morte de hoje luto só... amanhã.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Tenho mais amigos do que amigas. Isso é ruim?

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"Eu tenho mais facilidade de ter amizade com homens do que com mulheres, isso é ruim?" Foi a pergunta de uma de minhas amigas em uma conversa conjunta por e-mail.

O engraçado é que há muito pouco tempo, comecei a me perguntar, por conta de algumas decepções, se essa coisa de amizade entre homem e mulher é realmente verdadeira então resolvi escrever para cadenciar o que penso desde então.

O Texto mostra em suma o que ando pensando a respeito, depois de relembrar algumas situações e ler um pouco sobre "o papel da mulher" na sociedade e as formas que nós temos de nos livrar desses rótulos. Sei que existem exceções, que algumas mulheres já passaram por esses questionamentos e hoje conseguem enxergar com clareza tudo o que vou dizer. Mas esse texto é, principalmente, para as que ainda não se questionaram sobre essas coisas.
Ele provavelmente ficará grande, mas se você é uma mulher e já leu até aqui, continue e tente levar em consideração os pensamentos, caso tenha alguma coisa a acrescentar, fique a vontade nos comentários.

Durante muito tempo me senti especial por ter mais amizade com homens do que com mulheres. Sempre acreditei ser uma exceção por isso, mas não sou. A maioria das mulheres que conheço dizem ter a mesma facilidade e por incrível que pareça sentem-se mais a vontade com amigOs do que com amigAs.

Temos a sensação que a amizade masculina é mais verdadeira, que eles não ficam nos julgando e nos sentimos mais inteligentes ao falar com eles sobre política ou tecnologia se comparado a tratar dos mesmos assuntos com outras mulheres.

Acontece que isso é completamente ilusório. Vou explicar...

A partir do momento em que nascemos somos rotuladas, como se fossemos carimbadas na testa com um "Menina" escrito em cor de rosa choque. Ganhamos roupinhas rosas, chupetas rosas, coisinhas delicadas, florezinhas de borracha, a parede do quarto é pintada com borboletas lilás e todo primeiro contato que temos é com símbolos de delicadeza e meiguice.

Quantos brinquedos de raciocínio lógico você lembra de ter ganhado quando criança?
Ganhou alguma ferramenta ou algum carrinho?
Aposto que não, caso tenha ganhado provavelmente a quantidade deles não se compara a quantidade de bonecas, mini-máquinas de lavar, panelas, cozinha, mini aspiradores, casas de barbie, e tantos outros utensílios domésticos, não é?

Isso acontece porque o papel da mulher na sociedade ainda é servir. Passamos a infância nos familiarizando com trabalho doméstico e criação de filhos. Isso instaura em nossa cabeça a ideia de que seremos bem sucedidas a partir do momento que conseguirmos o que?
Servir.
Enquanto os meninos ganham carrinhos, apostam corrida, jogam futebol, soltam pipa, sobem em árvores, aprendem a usar ferramentas, a consertar, a desmontar, nós estamos aprendendo a ser mães e esposas. Além de decorarmos tudo o que uma mulher direita NÃO deve fazer.

Quantas vezes você já ouviu que o sonho de toda mulher é se casar?
As mulheres são educadas a sonhar em se casar, ter uma casa pra cuidar, cuidar das crianças, enquanto os meninos sonham em ter o primeiro carro, ser piloto de fórmula 1, engenheiro, jogador de futebol.

Na pré-adolescência, os meninos aprendem que devem ser espertos, correr mais rápido, ser inteligentes e resolver seus próprios problemas, as meninas que devem ser bonitas, educadas, meigas e prendadas.

A competição é quase uma característica de todos nós, os meninos aprenderam que são bons quando são espertos, então eles irão competir pra ver quem é o mais esperto, o mais rápido, o que na maioria das vezes tem resultados lógicos e práticos.

As meninas vão competir medindo quem é mais bonita ou a mais delicada (o que ainda é visto como beleza feminina), como você acha que isso vai ser medido?
Exatamente, pela quantidade de meninos que acha ela bonita.

A competição causada por esses "valores" entre os meninos corrobora pra que eles interajam e se divirtam. Entre as meninas isso as distancia.

Triste não é?

Na adolescência nós estamos aprendendo a fazer unha, a nos depilar a fazer hidratação no cabelo, a passar hidratante, é quando estamos aprendendo a ser desejáveis e seguindo essa lógica, o que nós iremos analisar em outra mulher?

Em nossa concepção a mulher realizada é aquela respeitada, bonita e que tem um namorado. Quando vemos em outra mulher qualquer sinal de diferenciação dessas normas nós apontamos. A cada vez que um homem me vê melhor ou "diferente" das outras mulheres eu chego mais perto de me realizar, afinal meu sonho é me casar e eu preciso de um homem pra isso.

Óbvio que nós não pensamos claramente dessa forma, isso foi nos passado de forma muito subjetiva. Mas faça um esforço e se lembre de quantas vezes você detestou uma mulher só pelo  fato dela ser "mais bonita" ou ter peitos maiores que os seus e por isso apontou as "falhas" sociais que ela estava cometendo?

Esse tipo de rivalidade faz com que fiquemos completamente desconfiadas das outras mulheres e elas de nós. Sendo o homem o objeto do nosso "sonho" com qual deles será mais fácil de nos relacionar?

Nossos amigos normalmente aumentam a nossa autoestima, já que o que aprendemos a esperar é a aprovação masculina. Fazem com que a gente se sinta igualmente esperta e inteligente, já que "as coisas de menino" sempre foram mais legais e desenvolveram o raciocínio.

Voltando à pergunta da minha amiga, ter mais amizades com homens do que com mulheres não é ruim, a menos que você não pense a respeito do porque disso e faça questão de manter as mulheres longe.

E não se esqueça que há uma chance dele não estar interessado no que você está dizendo, muito menos na sua amizade e descobrir isso é bem decepcionante. Pra descobrir é só reparar se ele fala com você de igual pra igual ou se ele tenta te "ensinar" sobre tudo o que estão conversando ou se te olha como um cachorro que olha para o frango assando no açougue. Você sabe de que olhar eu tô falando.

Nós precisamos nos lembrar que as mulheres não são inimigas e não faz sentido nenhum queremos ser "diferentes" umas das outras. Precisamos pensar fora desse padrão que nos foi imposto, porque dentro dele e separadas nós estamos em completa desvantagem.

As frases abaixo foram retiradas das revistas dos anos 50 e 60. São afirmações claustrofóbicas e assustadoras que não teriam sido MINIMIZADAS (Porque ainda sofremos por consequência desses raciocínios) se as mulheres não pensassem fora dos padrões e não conversassem umas com as outras a respeito. Ser amável e dócil não são qualidades reais. Pense nisso.

- A desordem numa casa de banho desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças,1945)

- A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos.(Jornal das Moças,1959)

- A esposa, depois de casada, deve vestir-se com a mesma elegância de solteira, pois é preciso lembrar-se de que a caça já foi feita, mas é preciso mantê-la bem presa. (Jornal das Moças,1955)

- Se o seu marido fuma, não arranje discussões pelo simples fato de cair cinza no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças,1957)

- A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido a experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exactamente como ele a idealizara. (Revista Claudia,1962)

- Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Revista Querida,1954)

- O noivado longo é um perigo. (Revista Querida,1953)

- É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal das Moças,1957)

- O lugar de mulher é no lar. O  trabalho fora de casa masculiniza.(Revista Querida, 1955)

Matéria completa em: http://www.forademim.com.br/site/2012/01/o-lugar-de-mulher-e-no-lar-o-trabalho-fora-de-casa-masculiniza/

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Carta aberta

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Vocês sabem o quanto escrever sobre isso é difícil pra mim, sabem que eu preferiria mil vezes fazer um discurso feminista ao falar sobre esse negócio todo que vou falar aqui, mas como vocês são extremamente importantes na minha vida, acho que merecem desejos sinceros da madrinha mais cética que foram arrumar. Então... lá vai. 

Nunca nos ensinaram a parte boa de nos casar. (Uns amigos me falaram isso semana passada, to roubando.)
Não fomos criados para dividir a vida com outra pessoa e em nossa memória tão congestionada essa união sempre foi sinônimo de pequenas tragédias diárias.
Sabemos, que com isso, vocês passaram a vida se criando como espíritos livres, fazendo questão de se manterem libertos de todas essas amarrações e tradições já tão ultrapassadas e cheias de desvantagens.
O que não nos contaram é que o amor não era nada disso...
O amor é para os bem aventurados, só esses são capazes de se deixar pertencer a um sentimento tão desprendido, ele é para os apaixonados pela vida, para os bem-humorados, para os que carregam brilho no olhar e cores no coração, o amor é para os que vivem em outra frequência. O amor é cúmplice.
Ele existe como uma forma natural de conexão, nos conecta uns aos outros fazendo com que tudo realmente faça sentido. O amor é sincronia e reciprocidade. É um laço de fitas sem nó, existe quase por um acidente de percurso, assim, exatamente como vocês, que ultrapassando todas as improbabilidades, se esbarraram e estão transformando dois universos particulares em um. Mentira, cada um com seu universo compartilhado. Eu sei, Eu sei.
Então eu desejo que nessa nova aventura a relação de vocês não mude. (Sim! Eu sou louca, psicopata. #Mejulguemundo) 
Desejo que vocês não se misturem, que continuem sendo partes inteiras, que tenham conquistas individuais para terem o gosto de compartilhar com o outro as novidades.
Que continuem sendo sinceros com o que sentem sempre, e que cada um continue sendo responsável pelo que sente.
Que continuem respeitando o espaço um do outro.
Que continuem sendo uma coreografia toda fora de ritmo, como são.
Que o amor de vocês continue sendo estabanado e que um ainda encontre o outro dançando ou cantando loucamente, sem motivo.
Que os bilhetinhos na geladeira continuem na geladeira.
Que vocês continuem dando sentido pra vida por causa dos livros e dando sentido aos livros por causa da vida.
Que as series ainda sejam a adaptação do encontro de vocês.
Que as músicas ainda sejam a expansão do que sentem.
Que sejam ainda UM DOS motivos que faça o outro sorrir. (Porque não, ninguém pode ser o motivo do riso de ninguém e vocês também sabem disso tanto quanto eu. Grazadeus).
Que continuem construindo memórias, e que eu faça parte delas vez ou outra. :)
Que continuem se amando como agora e que isso tenha a validade que couber no coração.
Mas apesar de tudo, desejo que tenham sempre a possibilidade de seguirem sós, mas escolham todo dia estarem juntos.

Um beijo grande.
Madrinha nada de honra.

sábado, 18 de julho de 2015

Brainstorming

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Certas partidas tardam, mas elas sempre acontecem.
O  passado mexe comigo como se nunca tivesse passado.
Eu nunca tive força suficiente para romper laços, mesmo sabendo que os rompimentos eram sempre mais do que necessários.
Eu nunca soube dizer não, como eu nunca soube dizer adeus.
"Todo mundo é meu pra sempre mesmo que eu tenha ido embora".
A verdade é que eu nunca consigo partir dos lugares que pertenci.
Não.
A verdade é que eu nunca conseguo partir do lugares que tentei pertencer e não consegui.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Moça, isso é mesmo normal?

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Duas almas livres se encontravam, ela em busca de si, ele resolvendo a vida. A felicidade dos dois causava espanto. Se amaram fervorosamente durante alguns anos, perceberam que o amor não existia mais, ela tomou coragem e foi embora, ele esbravejou: "Mulher tem que ser tratada como lixo pra não ir embora". "Você me largou pra biscatear".
"Você terminou? Ele parecia gostar tanto de você".
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Eram um casal bonito e doce, sempre companheiros.
Ele era um rapaz adorável e respeitoso... até ela assumir que o amor não era mais o mesmo e resolver terminar. Ele mandou flores, tentou algumas investidas, ela se manteve decidida. Ele fez ameaças, ela ficou apavorada.
"Coitado, não soube lidar com a perda."
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Se conheceram e trocaram algumas palavras, ele adicionou no facebook, investiu, ela negou. Apareceu no trabalho dela, descobriu onde ela morava. Ele perseguia, ela em desespero.
"É isso que dá sair com qualquer um. Depois reclama"
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Ela sempre feliz, agitada. Ele a adorava, moravam juntos, ciumento e desconfiado bateu nela pela primeira vez. Ela partia, ele perseguia.
Ela nunca mais saiu na rua desprendida e livre como antes.
"O que você fez pra ele ficar tão enciumado?"
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Casados, dois filhos. Chegou em casa bêbado, quebrou a casa. "Pára pai, por favor". Quebrou 3 corações, partiu um lar.
"É Parafrenia."
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Ele jogou uma cantada. Ela negou. Ele mandou ela tomar no cu.
"Dá pra todo mundo, depois fica de cu doce."
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Estavam em uma festa, ela esperava a amiga, ele gentilmente ofereceu companhia, sugeriu de buscarem bebida, a agarrou,  "Vem cá, eu sei que você quer". "Não eu não quero!". "Claro que quer vem cá, para de charme".
"Ah! Certeza que ela deu bola, ele não ia agarrar ela do nada."
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Ele bateu nela na sorveteria, usou o capacete.
"Alguma coisa ela fez pra ele perder a cabeça desse jeito".
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Você consegue enxergar qual a semelhança em todas essas histórias?
Todas elas são reais, tem coação, violência e um cara desgraçado que destrói, distorce, assusta, agride e invade. Em todos os casos a mulher foi vítima e mesmo assim culpada.
Moça, pra cada uma das histórias que contei aqui, existem outras milhares com consequências bem piores acontecendo agora.
Não moça, nenhuma delas provocou tudo isso.
Não moça, isso não é "coisa de homem" e nada disso é resultado de amor.
Moça, a gente não precisa passar por isso, nossas amigas não precisam passar por isso, a moça que está na rua de shorts curto não precisa passar por isso, e as que lutam contra toda essa retaliação também não.
Moça, não julgue outras moças, não ajude a calar quem já conseguiu se despertar. É exatamente isso que eles, esses caras covardes e ruins, esperam de nós.
Nós somos livres, moça. E eu espero que você perceba isso o mais rápido possível.
Força moça, um dia a gente vai conseguir fazer com que tudo isso pare de acontecer.
Me ajuda a ajudar outras moças?
Espalhe sororidade por aí.

Sororidade: Se refere à irmandade entre mulheres; Pacto de lealdade entre mulheres.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Lugar nenhum

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Lugar nenhum me cabe...
Meu estômago revira.
Minha cabeça atordoa.
A madrugada é tormenta, o ardor me confunde, do frio ao fogo - Meu sexo atrofia.
Descartada, a solidão não me basta. 
Liberdade estrangulada - garganta sufocada.
Meu corpo estremece, meu sangue pulsa - Meu sexo grita.
Meu olho dilata, minha vista embaça - Eu entorpeço.
O vômito me encanta - Reviro do avesso.
Rastejo - A vida me escapa.
Desfragmento e desfaleço, sobrou morte para amanhã.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Valentina

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Valentina sempre foi uma menina doce, de coração gentil, sensibilidade aguçada, sorriso fácil e choro incontido.
Embora carregue uma grande coragem no nome, nunca foi uma criança valente. Tinha medo de mertiolate,  de escuro e um pânico aflitivo da solidão - mesmo conseguindo ter só um único amigo por vez.
Nunca entendeu como era possível ter uma amizade verdadeira com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Ter um amigo desprendia tempo, entendimento, reciprocidade, sincronicidade e algumas brigas...
Em uma das discussões com sua vizinha e melhor amiga levou uns tapas. Fora a primeira vez que isso tinha acontecido, era a primeira vez que Valentina sangrava por dentro, não pelos tapas que levou, mas pelo tapa que revidou, "Larga de ser boba, menina. Volta lá e revida", aprendeu.
Logo ela que nunca fora uma grande jogadora ou uma exímia conquistadora de espaços, pelo contrário, era invisível para a maioria e sempre teve um certo azar no amor. Não só no amor romântico. Nunca se sentira correspondida, nem pelo amor que sentia às coisas, nem pelo amor que sentia pelas pessoas a sua volta. Nunca houvera uma reciprocidade que chegasse aos pés da intensidade do carinho que sentia por todas as coisas que habitavam sua vida.
A adolescência chegou e com ela todas as frustrações e choques de realidade plausíveis de uma adolescente. Se quando criança era uma garota sensível, na adolescência todos os sentimentos doces de Valentina ficaram à flor da pele. 
Aprendeu o que era ser rejeitada e entendeu que ninguém compreenderia sua pequena genialidade ou corresponderia o seu amor puro, colorido e doce.
Recebeu rispidez, recebeu decepções, percebeu que todos os seus segredos já compartilhados nunca foram secretos, foi traída de diversas formas e a cada dor o coração sangrou, a cada dor chorou incontidamente mesmo com os julgamentos de dramaticidade que recebeu. 
É verdade que também inspirou alguns amores e uma porção de afetos. E como eram pesados! Sentia-se responsável pelos amores que cativara mesmo não conseguindo lhes corresponder à altura. 
Aprisionou-se na responsabilidade de retribuir amores que ela não escolhera possuir, ao mesmo tempo que era ferida pelos amores que possuía e não recebia de volta.
Ela continuava tentando dar flores enquanto recebia espinhos e quase em nenhum dos casos houve sincronicidade.
Com o tempo descobriu que todas as suas desventuras são fatos corriqueiros na vida de todos que habitam esse planeta. Que todos passam por esses desencontros, sobras e faltas. A diferença é que a maioria se tornam pessoas piores a cada tapa que recebe da vida, mas todos, sem exceção, tinham motivos para ser quem haviam se tornado.
Mas dessa vez desobedeceu e não revidou os tapas que recebeu para conquistar o espaço que queria no meio de todas aquelas pessoas.
Se fechou, não para as possibilidades, agora adulta, Valentina trancou todas as suas expectativas dentro do peito. Respirou e considerou que receberia sempre o que cada um fosse capaz de lhe oferecer. Sabia, agora, que todo o carinho que ela possuía deveria sair de dentro de si e ser distribuído sem que ninguém tivesse responsabilidade em devolvê-lo. O amor não era mais uma matéria prima que deveria ser trocada, o amor passou a ser arte final.
Hoje ela tem grandes amigos, cada um com sua forma, com seus defeitos, qualidades, loucuras e peculiaridades. 
Mas Valentina continua acreditando que só é possível ter um único amigo verdadeiro por vez. E quando lhe perguntam quem tem toda sua confiança, guarda seus melhores momentos e seus mais secretos segredos, Valentina suspira, sorri e diz: "O nome dela é Solidão".

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Tanto clichê, deve não ser

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“Tanto clichê, deve não ser”. E não é! Embora o “Eu te amo” no meio da noite seja aconchegante.
Embora seja confortável e lisonjeiro ouvir “Não tenho olhos para mais ninguém desde que te conheci”. Mesmo que o “Eu não posso mais viver sem você” seja o suspiro que o coração dá no desespero da perda.
Quanto mais clichê menos é, menos prolonga, menos satisfaz. O clichê esgota, perde, já que se diz tudo antes de sentir.
Ninguém vai te amar a toda hora, você não ama ninguém a cada minuto do dia e não pensa na mesma coisa toda vez que acorda.
Terminar uma frase com “Te amo” como se fosse “cambio, desligo”, não faz a outra pessoa se sentir especial, nem você acreditaria verdadeiramente nisso.
Falar o que se sente é quase um grito, quanto mais se repete menos força tem.
Eu abro mão do buquê de rosas e ganho um raminho de florzinhas brancas depois de um dia difícil.
Troco o “Você é a mais linda da noite”, pelo “Tá bonita, sabia?”.
Qualquer presente de Natal, por uma conversa sincera e um olhar orgulhoso.
Qual é a graça de se ouvir a frase feita da novela? E saber que não se passa do jogo “Tá querendo ouvir, eu digo!”?
Bom é fazer parte, é dividir expectativa, é ganhar força para se transformar ao invés de “eu gosto de você de qualquer jeito”, é dar um presente no meio do ano, sem ter pretensão de ganhar outro, é dividir a conta, é chegar sozinha se precisar, andar em motos separadas e passar frio até o vento começar a te esquentar.
Bom mesmo é não precisar ouvir mentiras forçadas ou romantismo exagerado para ser feliz.
É saber que o homem da sua vida é aquele que você deixa ficar, e que o destino não tem nada com isso.
E se tudo der errado e você sentir vontade de gritar um clichê pra se sentir melhor use o “isso também vai passar”, esse funciona.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Então Repica!

2 comentários

Imagem de: http://vanessaweuffel.deviantart.com/

Não é sobre cabelo, é sobre resistência....
É não desviar o olhar, me reconhecer no espelho e me olhar nos olhos.
Não me fingir de outra, enxergar minhas marcas sem renegá-las.
É abandonar o esconderijo, seja ele o cabelo comprido ou as roupas largas, e sair à campo.
Sobre parar de esperar meu corpo mudar para libertá-lo.
Isso é não mais me mal dizer sussurrando repetidamente o que o mundo grita, concretizar o que acredito e calar todas essas ordens ecoadas, que escarram o que devemos ser dia-após-dia.
Anarquizar meu estado mórbido, pacato e estável.
Ruir as muralhas que construí para proteger todas as minhas certezas mesquinhas.
Me assumir imperfeita, composta de carnes, ossos, músculos, arrepios e luzes (acesas).
Isso é sobre a tentativa de existir com propriedade. É sobre me assumir humana, ser (um ser) vivente e pulsante.
É gritar que sou mulher... e gargalhar que sou livre.