quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Hold the door

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Há algum tempo venho mantendo a porta fechada...
Me fechando para vida, pras pessoas e pras pessoas que sou.
Me transformei na vida que olha pro chão ao cruzar com outra vida no corredor, que desvia o olhar e só concorda com a cabeça. Sorrio amarelo, falo cada vez menos e rezo para não ter que passar informação pra um estranho ou não cruzar com um conhecido por ai.
Me reduzo ao confortável, seguro e afável, o que eu sei, claro, não é nada original e tá até meio batido.
Dizem que a nossa geração tá um saco por essa mania compulsiva em se vestir de blasé e fingir que não tá nem ai com porranenhuma. Mas cá entre nós, foi a única maneira de aguentar, de sobreviver ou "sub-viver" porque não tem nada de "sobre" nisso, é bem mais "in" esse negócio.
Sobreviver, apesar das pessoas, tem sido a parte mais difícil nessa crise dos 20 e poucos quase 30, elas machucam, pisoteiam, sapateiam, justo na hora que a gente tá descobrindo que não é tão forte quanto a menina de 17 que lutava sozinha contra todo mundo, quando a gente descobre e é obrigada a aceitar que não dá pra independer de todas as pessoas do <nosso> planeta e que existem (ainda bem) as pessoas que são por nós. São por nós apesar das feridas que elas, vez ou outra, causam.
Porque, no fim (acho que tá mais pro meio) tá todo mundo perdido mesmo, todo mundo se protegendo, e no planeta delas sou eu que machuco, pisoteio e sapateio.
Mas, se eu me protejo de você e você se protege de mim, a gente vai estar cada vez mais com a cabeça enterrada em nosso próprio peito (queria saber desenhar essa cena), porque isso não tem nada a ver com umbigo, tem a ver com coração mesmo, é ele que para a cada resposta rude que ouço ou digo, com cada bom dia que eu não dou pra não ser vista e por cada distância que planto entre mim e às pessoas da minha vida por não saber lidar com a frequência afetiva que é sempre muito diferente da minha. Sempre.

Então, a cada sapateadinha que levo vou repetir aqui dentro: "Isso não é sobre mim" e a cada ausência: "Ninguém é minha extensão, eu existo independente de qualquer coisa ou pessoa". 
Eu espero que funcione, porque meu sorriso nunca foi amarelo, meu planeta tá precisando ter cor outra vez e eu não aguento mais segurar a porta.

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