quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Tenho mais amigos do que amigas. Isso é ruim?

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"Eu tenho mais facilidade de ter amizade com homens do que com mulheres, isso é ruim?" Foi a pergunta de uma de minhas amigas em uma conversa conjunta por e-mail.

O engraçado é que há muito pouco tempo, comecei a me perguntar, por conta de algumas decepções, se essa coisa de amizade entre homem e mulher é realmente verdadeira então resolvi escrever para cadenciar o que penso desde então.

O Texto mostra em suma o que ando pensando a respeito, depois de relembrar algumas situações e ler um pouco sobre "o papel da mulher" na sociedade e as formas que nós temos de nos livrar desses rótulos. Sei que existem exceções, que algumas mulheres já passaram por esses questionamentos e hoje conseguem enxergar com clareza tudo o que vou dizer. Mas esse texto é, principalmente, para as que ainda não se questionaram sobre essas coisas.
Ele provavelmente ficará grande, mas se você é uma mulher e já leu até aqui, continue e tente levar em consideração os pensamentos, caso tenha alguma coisa a acrescentar, fique a vontade nos comentários.

Durante muito tempo me senti especial por ter mais amizade com homens do que com mulheres. Sempre acreditei ser uma exceção por isso, mas não sou. A maioria das mulheres que conheço dizem ter a mesma facilidade e por incrível que pareça sentem-se mais a vontade com amigOs do que com amigAs.

Temos a sensação que a amizade masculina é mais verdadeira, que eles não ficam nos julgando e nos sentimos mais inteligentes ao falar com eles sobre política ou tecnologia se comparado a tratar dos mesmos assuntos com outras mulheres.

Acontece que isso é completamente ilusório. Vou explicar...

A partir do momento em que nascemos somos rotuladas, como se fossemos carimbadas na testa com um "Menina" escrito em cor de rosa choque. Ganhamos roupinhas rosas, chupetas rosas, coisinhas delicadas, florezinhas de borracha, a parede do quarto é pintada com borboletas lilás e todo primeiro contato que temos é com símbolos de delicadeza e meiguice.

Quantos brinquedos de raciocínio lógico você lembra de ter ganhado quando criança?
Ganhou alguma ferramenta ou algum carrinho?
Aposto que não, caso tenha ganhado provavelmente a quantidade deles não se compara a quantidade de bonecas, mini-máquinas de lavar, panelas, cozinha, mini aspiradores, casas de barbie, e tantos outros utensílios domésticos, não é?

Isso acontece porque o papel da mulher na sociedade ainda é servir. Passamos a infância nos familiarizando com trabalho doméstico e criação de filhos. Isso instaura em nossa cabeça a ideia de que seremos bem sucedidas a partir do momento que conseguirmos o que?
Servir.
Enquanto os meninos ganham carrinhos, apostam corrida, jogam futebol, soltam pipa, sobem em árvores, aprendem a usar ferramentas, a consertar, a desmontar, nós estamos aprendendo a ser mães e esposas. Além de decorarmos tudo o que uma mulher direita NÃO deve fazer.

Quantas vezes você já ouviu que o sonho de toda mulher é se casar?
As mulheres são educadas a sonhar em se casar, ter uma casa pra cuidar, cuidar das crianças, enquanto os meninos sonham em ter o primeiro carro, ser piloto de fórmula 1, engenheiro, jogador de futebol.

Na pré-adolescência, os meninos aprendem que devem ser espertos, correr mais rápido, ser inteligentes e resolver seus próprios problemas, as meninas que devem ser bonitas, educadas, meigas e prendadas.

A competição é quase uma característica de todos nós, os meninos aprenderam que são bons quando são espertos, então eles irão competir pra ver quem é o mais esperto, o mais rápido, o que na maioria das vezes tem resultados lógicos e práticos.

As meninas vão competir medindo quem é mais bonita ou a mais delicada (o que ainda é visto como beleza feminina), como você acha que isso vai ser medido?
Exatamente, pela quantidade de meninos que acha ela bonita.

A competição causada por esses "valores" entre os meninos corrobora pra que eles interajam e se divirtam. Entre as meninas isso as distancia.

Triste não é?

Na adolescência nós estamos aprendendo a fazer unha, a nos depilar a fazer hidratação no cabelo, a passar hidratante, é quando estamos aprendendo a ser desejáveis e seguindo essa lógica, o que nós iremos analisar em outra mulher?

Em nossa concepção a mulher realizada é aquela respeitada, bonita e que tem um namorado. Quando vemos em outra mulher qualquer sinal de diferenciação dessas normas nós apontamos. A cada vez que um homem me vê melhor ou "diferente" das outras mulheres eu chego mais perto de me realizar, afinal meu sonho é me casar e eu preciso de um homem pra isso.

Óbvio que nós não pensamos claramente dessa forma, isso foi nos passado de forma muito subjetiva. Mas faça um esforço e se lembre de quantas vezes você detestou uma mulher só pelo  fato dela ser "mais bonita" ou ter peitos maiores que os seus e por isso apontou as "falhas" sociais que ela estava cometendo?

Esse tipo de rivalidade faz com que fiquemos completamente desconfiadas das outras mulheres e elas de nós. Sendo o homem o objeto do nosso "sonho" com qual deles será mais fácil de nos relacionar?

Nossos amigos normalmente aumentam a nossa autoestima, já que o que aprendemos a esperar é a aprovação masculina. Fazem com que a gente se sinta igualmente esperta e inteligente, já que "as coisas de menino" sempre foram mais legais e desenvolveram o raciocínio.

Voltando à pergunta da minha amiga, ter mais amizades com homens do que com mulheres não é ruim, a menos que você não pense a respeito do porque disso e faça questão de manter as mulheres longe.

E não se esqueça que há uma chance dele não estar interessado no que você está dizendo, muito menos na sua amizade e descobrir isso é bem decepcionante. Pra descobrir é só reparar se ele fala com você de igual pra igual ou se ele tenta te "ensinar" sobre tudo o que estão conversando ou se te olha como um cachorro que olha para o frango assando no açougue. Você sabe de que olhar eu tô falando.

Nós precisamos nos lembrar que as mulheres não são inimigas e não faz sentido nenhum queremos ser "diferentes" umas das outras. Precisamos pensar fora desse padrão que nos foi imposto, porque dentro dele e separadas nós estamos em completa desvantagem.

As frases abaixo foram retiradas das revistas dos anos 50 e 60. São afirmações claustrofóbicas e assustadoras que não teriam sido MINIMIZADAS (Porque ainda sofremos por consequência desses raciocínios) se as mulheres não pensassem fora dos padrões e não conversassem umas com as outras a respeito. Ser amável e dócil não são qualidades reais. Pense nisso.

- A desordem numa casa de banho desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças,1945)

- A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos.(Jornal das Moças,1959)

- A esposa, depois de casada, deve vestir-se com a mesma elegância de solteira, pois é preciso lembrar-se de que a caça já foi feita, mas é preciso mantê-la bem presa. (Jornal das Moças,1955)

- Se o seu marido fuma, não arranje discussões pelo simples fato de cair cinza no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. (Jornal das Moças,1957)

- A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido a experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exactamente como ele a idealizara. (Revista Claudia,1962)

- Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (Revista Querida,1954)

- O noivado longo é um perigo. (Revista Querida,1953)

- É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal das Moças,1957)

- O lugar de mulher é no lar. O  trabalho fora de casa masculiniza.(Revista Querida, 1955)

Matéria completa em: http://www.forademim.com.br/site/2012/01/o-lugar-de-mulher-e-no-lar-o-trabalho-fora-de-casa-masculiniza/

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